penso em ti
dentro de mim
me tocas
a alma
certos silêncios duram mais
Estou falando, sou eu que estou aqui:
o piano no terceiro andar do prédio continua tocando,
meu coração que batia aos solavancos, continua batendo,
os degraus que eu descia continuam descendo,
e os degraus que eu subia continuam subindo.
Silêncio.
Estou aqui e penso:
não foi a pressa que nos uniu e nem ela que nos separa,
não foram minhas vertigens em escadas ou todos os passos que levaram a nada,
não foram as rodoviárias, seu desamparo ou minhas retiradas.
Foi vela que se apaga,
esvoaça, vira fumaça.
O tempo é outro, mas os telhados continuam se molhando.
O vento esbarra
balança
desdobra e desmonta.
Chove.
Chove na praia
chove no vale
no asfalto e na estrada de barro
chove na montanha, chove no morro.
Chove nos olhos de quem já terminou
e agora sabe que só resta ir embora.
o piano no terceiro andar do prédio continua tocando,
meu coração que batia aos solavancos, continua batendo,
os degraus que eu descia continuam descendo,
e os degraus que eu subia continuam subindo.
Silêncio.
Estou aqui e penso:
não foi a pressa que nos uniu e nem ela que nos separa,
não foram minhas vertigens em escadas ou todos os passos que levaram a nada,
não foram as rodoviárias, seu desamparo ou minhas retiradas.
Foi vela que se apaga,
esvoaça, vira fumaça.
O tempo é outro, mas os telhados continuam se molhando.
O vento esbarra
balança
desdobra e desmonta.
Chove.
Chove na praia
chove no vale
no asfalto e na estrada de barro
chove na montanha, chove no morro.
Chove nos olhos de quem já terminou
e agora sabe que só resta ir embora.
nesses campos, no quintal da casa da tua infância
na minha cidade e na tua cidade também
atrás das altas vidraças e das redes da varanda
me desenho em uma vila e não penso na partida
a mulher que não abandona a si mesma
e não consegue contar uma história completa
e estou te dizendo isso há dias:
você é meu único tesouro.
escuta aqui! a vida corre,
os trens partem sem saber do destino.
aqui dentro eu tenho os olhos dele
lá fora minha cabeça fala sozinha
somos dois trens atrasados na vida do outro
trilhos interligados antes da partida
os mesmos vagões estilhaçados, mas
acertamos a estação no fim da viagem;
com atraso proposital de ambos
construímos o que de agora em diante
será a melhor viagem de nossas vidas
É manhã e a composição do dia é sol brando com o vento gelado que só se dá na esquina da minha rua, uma curva pequena, fechada.
Leva mais tempo passar por ela do que leva para eu começar a sentir tua falta.
Caminho por cinco minutos. A beirada da montanha me para e mostra a cidade que acaba de despertar. Meu peito está superlotado.
Caminho por mais cinco e estou no mundo. No meio de todo o mundo.
Perco-me no meio dessa gente, vísivel, olhos que são lupas.
Há meu amor lá fora, é fatal e ele espera por mim.
Quem te espera no fim do teu caminho?
Leva mais tempo passar por ela do que leva para eu começar a sentir tua falta.
Caminho por cinco minutos. A beirada da montanha me para e mostra a cidade que acaba de despertar. Meu peito está superlotado.
Caminho por mais cinco e estou no mundo. No meio de todo o mundo.
Perco-me no meio dessa gente, vísivel, olhos que são lupas.
Há meu amor lá fora, é fatal e ele espera por mim.
Quem te espera no fim do teu caminho?
O chá se torna frio na xícara toda vez que as palavras saem de mim, saem em correnteza.
As folhas param de cair, deixam de lado o intervalo regular que assumiram com a estação.
É a minha preferida e mais uma vez ela me acompanha cair.
Não preciso dizer mais nada, o ar úmido que entra pela fresta da janela sem permissão é a indicação fria do presente. Acabam as palavras. Acaba o chá. Eu também já acabei.
te escuto folhear meus poemas
Veste teu casaco, enrola o cachecol no pescoço que agora já faz frio.
O som do silêncio lá fora entrega tudo, os pássaros se escondem.
Tu não chegará nem perto do teu destino se não apressar o passo, não se preocupe com o aceleramento dos batimentos, vai valer o esforço.
Vamos, se apressa.
"Um bom café pra aquecer.
Mais um dia pra aborrecer"
cantam no teu ouvido.
Tranca a porta antes de sair, mas leva o peito aberto pra rua.
Encara o cheiro que a neblina tem e as poucas luzes que permancem acesas.
E caminha, agora sem pressa.
Com metade de um sorriso e sabendo para onde deve ir.
Veste teu casaco, enrola o cachecol no pescoço que agora já faz frio.
O som do silêncio lá fora entrega tudo, os pássaros se escondem.
Tu não chegará nem perto do teu destino se não apressar o passo, não se preocupe com o aceleramento dos batimentos, vai valer o esforço.
Vamos, se apressa.
"Um bom café pra aquecer.
Mais um dia pra aborrecer"
cantam no teu ouvido.
Tranca a porta antes de sair, mas leva o peito aberto pra rua.
Encara o cheiro que a neblina tem e as poucas luzes que permancem acesas.
E caminha, agora sem pressa.
Com metade de um sorriso e sabendo para onde deve ir.
I
Me tenho.
Faço pouco dos que dizem muito.
Aprisiono o tempo no pulso - ninguém vê que o relógio já parou faz muito.
Arranco o que possuo para depois ter o trabalho de me refazer.
Escolho não lembrar
e assim parece nunca ter acontecido.
Ando com a pressa de todos os passos
na esperança de esbarrar com você,
mas você não chega e os tropeços já são muitos
e deixam marcas, uma após outra.
Já não sinto mais nada.
Desisto.
II
Insisto.
Inspiro o ar da rodoviária enquanto meus olhos te procuram e
por mais inacreditável que possa parecer finalmente te encontro.
Tu sentas ao meu lado e espera que agora
eu te acompanhe por tempo indeterminado.
Não eras quem eu procurava,
mas naquele momento eu não sabia disso.
III
Eu coloquei culpas em você que eram minhas.
Todas as músicas que tocamos sempre pareceram
melhores sem mim, mesmo que nunca tenhas me dito isso.
IV
Um mês e eu amei partes de mim que desconhecia.
V
Corremos da Barra Sul no final da tarde,
eu tinha algumas certezas, sabia que estava atrasada.
Parecia que eu corria em direação a algum lugar.
VI
Todo passo que eu dei ao teu lado me levou
lentamente para longe de ti.
VII
Os dois andares da loja, a moldura no espelho,
o terceiro andar no prédio, a tv antiga dentro do armário
e o medo de não ser o suficiente.
O medo foi nosso maior vínculo.
VIII
Três meses e chegamos ao início
do fim.
IX
As suas mãos se agarraram aos meus braços e
deixaram marcas enquanto as minhas te empurraram.
Vivemos o pior dos meses, feito de feridas que abrimos
no outro repetidas vezes até não sobrar nada além de
um aglomerado de arrependimentos.
X
Eu quero te dizer o que foi bom
e transcrever em um poema
mesmo que pequeno
para provar pra mim
e pra você
que eu nunca fui tão ruim assim.
XI
XII
Ele caminhava olhando atentamente o chão
como se a calçada fosse arte.
Ele cruzava os braços quando não tinha mais o que dizer.
Era o que eu sabia sobre ele.
Éramos nós dois e tínhamos apenas cinco minutos.
Tínhamos cinco minutos mas eu queria que fosse a vida inteira.
XIII
O ano era novo
e eu estava vestida de um sentimento que não existia.
Não percebi que o teu abraço entre o meio-fio e a calçada
foi melhor que a queima de fogos.
XIV
Ele me trouxe a felicidade que eu não conhecia,
me deixou três fotografias e um querer
de mal caber no peito.
XV
Por seis meses chorar
foi como respirar.
XVI
Senti falta de mim.
De ser eu quando estava contigo.
XVII
Em um final de tarde de inverno
encontro no meio dos pinheiros,
no vento gelado que me corta o rosto e
nos bolsos do casaco.
Encontro ali e aqui o que deixei que levassem.
Me sinto novamente
parte por parte.
Inteira.
Encontrei-me.
XVIII
É como sempre me contaram o
amor à primeira vista.
Você o vê e sabe que vai amá-lo.
Sabe que ele tirará de ti todo o fôlego
e que mesmo com a falta de ar
você vai querer continuar amando.
Só espera agora
que ele te ame também.
XIX
Eu te amo com toda a minha força
a mesma força com que tu
diz olhando nos meus olhos
que me ama também.
E eu duvido muito que exista
felicidade maior do que essa.
XX
Amar você
é a descoberta
da melhor parte de mim.
Me tenho.
Faço pouco dos que dizem muito.
Aprisiono o tempo no pulso - ninguém vê que o relógio já parou faz muito.
Arranco o que possuo para depois ter o trabalho de me refazer.
Escolho não lembrar
e assim parece nunca ter acontecido.
Ando com a pressa de todos os passos
na esperança de esbarrar com você,
mas você não chega e os tropeços já são muitos
e deixam marcas, uma após outra.
Já não sinto mais nada.
Desisto.
II
Insisto.
Inspiro o ar da rodoviária enquanto meus olhos te procuram e
por mais inacreditável que possa parecer finalmente te encontro.
Tu sentas ao meu lado e espera que agora
eu te acompanhe por tempo indeterminado.
Não eras quem eu procurava,
mas naquele momento eu não sabia disso.
III
Eu coloquei culpas em você que eram minhas.
Todas as músicas que tocamos sempre pareceram
melhores sem mim, mesmo que nunca tenhas me dito isso.
IV
Um mês e eu amei partes de mim que desconhecia.
V
Corremos da Barra Sul no final da tarde,
eu tinha algumas certezas, sabia que estava atrasada.
Parecia que eu corria em direação a algum lugar.
VI
Todo passo que eu dei ao teu lado me levou
lentamente para longe de ti.
VII
Os dois andares da loja, a moldura no espelho,
o terceiro andar no prédio, a tv antiga dentro do armário
e o medo de não ser o suficiente.
O medo foi nosso maior vínculo.
VIII
Três meses e chegamos ao início
do fim.
IX
As suas mãos se agarraram aos meus braços e
deixaram marcas enquanto as minhas te empurraram.
Vivemos o pior dos meses, feito de feridas que abrimos
no outro repetidas vezes até não sobrar nada além de
um aglomerado de arrependimentos.
X
Eu quero te dizer o que foi bom
e transcrever em um poema
mesmo que pequeno
para provar pra mim
e pra você
que eu nunca fui tão ruim assim.
XI
XII
Ele caminhava olhando atentamente o chão
como se a calçada fosse arte.
Ele cruzava os braços quando não tinha mais o que dizer.
Era o que eu sabia sobre ele.
Éramos nós dois e tínhamos apenas cinco minutos.
Tínhamos cinco minutos mas eu queria que fosse a vida inteira.
XIII
O ano era novo
e eu estava vestida de um sentimento que não existia.
Não percebi que o teu abraço entre o meio-fio e a calçada
foi melhor que a queima de fogos.
XIV
Ele me trouxe a felicidade que eu não conhecia,
me deixou três fotografias e um querer
de mal caber no peito.
XV
Por seis meses chorar
foi como respirar.
Senti falta de mim.
De ser eu quando estava contigo.
Em um final de tarde de inverno
encontro no meio dos pinheiros,
no vento gelado que me corta o rosto e
nos bolsos do casaco.
Encontro ali e aqui o que deixei que levassem.
Me sinto novamente
parte por parte.
Inteira.
Encontrei-me.
XVIII
É como sempre me contaram o
amor à primeira vista.
Você o vê e sabe que vai amá-lo.
Sabe que ele tirará de ti todo o fôlego
e que mesmo com a falta de ar
você vai querer continuar amando.
Só espera agora
que ele te ame também.
XIX
Eu te amo com toda a minha força
a mesma força com que tu
diz olhando nos meus olhos
que me ama também.
E eu duvido muito que exista
felicidade maior do que essa.
XX
Amar você
é a descoberta
da melhor parte de mim.
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