É manhã e a composição do dia é sol brando com o vento gelado que só se dá na esquina da minha rua, uma curva pequena, fechada.
Leva mais tempo passar por ela do que leva para eu começar a sentir tua falta.
Caminho por cinco minutos. A beirada da montanha me para e mostra a cidade que acaba de despertar. Meu peito está superlotado.
Caminho por mais cinco e estou no mundo. No meio de todo o mundo.
Perco-me no meio dessa gente, vísivel, olhos que são lupas.
Há meu amor lá fora, é fatal e ele espera por mim.
Quem te espera no fim do teu caminho?
O chá se torna frio na xícara toda vez que as palavras saem de mim, saem em correnteza.
As folhas param de cair, deixam de lado o intervalo regular que assumiram com a estação.
É a minha preferida e mais uma vez ela me acompanha cair.
Não preciso dizer mais nada, o ar úmido que entra pela fresta da janela sem permissão é a indicação fria do presente. Acabam as palavras. Acaba o chá. Eu também já acabei.
te escuto folhear meus poemas
Veste teu casaco, enrola o cachecol no pescoço que agora já faz frio.
O som do silêncio lá fora entrega tudo, os pássaros se escondem.
Tu não chegará nem perto do teu destino se não apressar o passo, não se preocupe com o aceleramento dos batimentos, vai valer o esforço.
Vamos, se apressa.
"Um bom café pra aquecer.
Mais um dia pra aborrecer"
cantam no teu ouvido.
Tranca a porta antes de sair, mas leva o peito aberto pra rua.
Encara o cheiro que a neblina tem e as poucas luzes que permancem acesas.
E caminha, agora sem pressa.
Com metade de um sorriso e sabendo para onde deve ir.
Veste teu casaco, enrola o cachecol no pescoço que agora já faz frio.
O som do silêncio lá fora entrega tudo, os pássaros se escondem.
Tu não chegará nem perto do teu destino se não apressar o passo, não se preocupe com o aceleramento dos batimentos, vai valer o esforço.
Vamos, se apressa.
"Um bom café pra aquecer.
Mais um dia pra aborrecer"
cantam no teu ouvido.
Tranca a porta antes de sair, mas leva o peito aberto pra rua.
Encara o cheiro que a neblina tem e as poucas luzes que permancem acesas.
E caminha, agora sem pressa.
Com metade de um sorriso e sabendo para onde deve ir.
I
Me tenho.
Faço pouco dos que dizem muito.
Aprisiono o tempo no pulso - ninguém vê que o relógio já parou faz muito.
Arranco o que possuo para depois ter o trabalho de me refazer.
Escolho não lembrar
e assim parece nunca ter acontecido.
Ando com a pressa de todos os passos
na esperança de esbarrar com você,
mas você não chega e os tropeços já são muitos
e deixam marcas, uma após outra.
Já não sinto mais nada.
Desisto.
II
Insisto.
Inspiro o ar da rodoviária enquanto meus olhos te procuram e
por mais inacreditável que possa parecer finalmente te encontro.
Tu sentas ao meu lado e espera que agora
eu te acompanhe por tempo indeterminado.
Não eras quem eu procurava,
mas naquele momento eu não sabia disso.
III
Eu coloquei culpas em você que eram minhas.
Todas as músicas que tocamos sempre pareceram
melhores sem mim, mesmo que nunca tenhas me dito isso.
IV
Um mês e eu amei partes de mim que desconhecia.
V
Corremos da Barra Sul no final da tarde,
eu tinha algumas certezas, sabia que estava atrasada.
Parecia que eu corria em direação a algum lugar.
VI
Todo passo que eu dei ao teu lado me levou
lentamente para longe de ti.
VII
Os dois andares da loja, a moldura no espelho,
o terceiro andar no prédio, a tv antiga dentro do armário
e o medo de não ser o suficiente.
O medo foi nosso maior vínculo.
VIII
Três meses e chegamos ao início
do fim.
IX
As suas mãos se agarraram aos meus braços e
deixaram marcas enquanto as minhas te empurraram.
Vivemos o pior dos meses, feito de feridas que abrimos
no outro repetidas vezes até não sobrar nada além de
um aglomerado de arrependimentos.
X
Eu quero te dizer o que foi bom
e transcrever em um poema
mesmo que pequeno
para provar pra mim
e pra você
que eu nunca fui tão ruim assim.
XI
XII
Ele caminhava olhando atentamente o chão
como se a calçada fosse arte.
Ele cruzava os braços quando não tinha mais o que dizer.
Era o que eu sabia sobre ele.
Éramos nós dois e tínhamos apenas cinco minutos.
Tínhamos cinco minutos mas eu queria que fosse a vida inteira.
XIII
O ano era novo
e eu estava vestida de um sentimento que não existia.
Não percebi que o teu abraço entre o meio-fio e a calçada
foi melhor que a queima de fogos.
XIV
Ele me trouxe a felicidade que eu não conhecia,
me deixou três fotografias e um querer
de mal caber no peito.
XV
Por seis meses chorar
foi como respirar.
XVI
Senti falta de mim.
De ser eu quando estava contigo.
XVII
Em um final de tarde de inverno
encontro no meio dos pinheiros,
no vento gelado que me corta o rosto e
nos bolsos do casaco.
Encontro ali e aqui o que deixei que levassem.
Me sinto novamente
parte por parte.
Inteira.
Encontrei-me.
XVIII
É como sempre me contaram o
amor à primeira vista.
Você o vê e sabe que vai amá-lo.
Sabe que ele tirará de ti todo o fôlego
e que mesmo com a falta de ar
você vai querer continuar amando.
Só espera agora
que ele te ame também.
XIX
Eu te amo com toda a minha força
a mesma força com que tu
diz olhando nos meus olhos
que me ama também.
E eu duvido muito que exista
felicidade maior do que essa.
XX
Amar você
é a descoberta
da melhor parte de mim.
Me tenho.
Faço pouco dos que dizem muito.
Aprisiono o tempo no pulso - ninguém vê que o relógio já parou faz muito.
Arranco o que possuo para depois ter o trabalho de me refazer.
Escolho não lembrar
e assim parece nunca ter acontecido.
Ando com a pressa de todos os passos
na esperança de esbarrar com você,
mas você não chega e os tropeços já são muitos
e deixam marcas, uma após outra.
Já não sinto mais nada.
Desisto.
II
Insisto.
Inspiro o ar da rodoviária enquanto meus olhos te procuram e
por mais inacreditável que possa parecer finalmente te encontro.
Tu sentas ao meu lado e espera que agora
eu te acompanhe por tempo indeterminado.
Não eras quem eu procurava,
mas naquele momento eu não sabia disso.
III
Eu coloquei culpas em você que eram minhas.
Todas as músicas que tocamos sempre pareceram
melhores sem mim, mesmo que nunca tenhas me dito isso.
IV
Um mês e eu amei partes de mim que desconhecia.
V
Corremos da Barra Sul no final da tarde,
eu tinha algumas certezas, sabia que estava atrasada.
Parecia que eu corria em direação a algum lugar.
VI
Todo passo que eu dei ao teu lado me levou
lentamente para longe de ti.
VII
Os dois andares da loja, a moldura no espelho,
o terceiro andar no prédio, a tv antiga dentro do armário
e o medo de não ser o suficiente.
O medo foi nosso maior vínculo.
VIII
Três meses e chegamos ao início
do fim.
IX
As suas mãos se agarraram aos meus braços e
deixaram marcas enquanto as minhas te empurraram.
Vivemos o pior dos meses, feito de feridas que abrimos
no outro repetidas vezes até não sobrar nada além de
um aglomerado de arrependimentos.
X
Eu quero te dizer o que foi bom
e transcrever em um poema
mesmo que pequeno
para provar pra mim
e pra você
que eu nunca fui tão ruim assim.
XI
XII
Ele caminhava olhando atentamente o chão
como se a calçada fosse arte.
Ele cruzava os braços quando não tinha mais o que dizer.
Era o que eu sabia sobre ele.
Éramos nós dois e tínhamos apenas cinco minutos.
Tínhamos cinco minutos mas eu queria que fosse a vida inteira.
XIII
O ano era novo
e eu estava vestida de um sentimento que não existia.
Não percebi que o teu abraço entre o meio-fio e a calçada
foi melhor que a queima de fogos.
XIV
Ele me trouxe a felicidade que eu não conhecia,
me deixou três fotografias e um querer
de mal caber no peito.
XV
Por seis meses chorar
foi como respirar.
Senti falta de mim.
De ser eu quando estava contigo.
Em um final de tarde de inverno
encontro no meio dos pinheiros,
no vento gelado que me corta o rosto e
nos bolsos do casaco.
Encontro ali e aqui o que deixei que levassem.
Me sinto novamente
parte por parte.
Inteira.
Encontrei-me.
XVIII
É como sempre me contaram o
amor à primeira vista.
Você o vê e sabe que vai amá-lo.
Sabe que ele tirará de ti todo o fôlego
e que mesmo com a falta de ar
você vai querer continuar amando.
Só espera agora
que ele te ame também.
XIX
Eu te amo com toda a minha força
a mesma força com que tu
diz olhando nos meus olhos
que me ama também.
E eu duvido muito que exista
felicidade maior do que essa.
XX
Amar você
é a descoberta
da melhor parte de mim.
Coincidência é conhecer em outro um pouco do que existe em ti.
Qual foi a coincidência mais bonita da tua vida?
A coincidência mais bonita da minha vida aconteceu quando eu não me conhecia.
Foi em uma noite morna -
não estava frio, não estava quente
eu não estava feliz, nem triste
não soube escolher o casaco para me cobrir, naquela noite usei dois
não quis entrar na casa de madeira, nem esperar na rua,
a rua vazia me fazia lembrar de quão vazia estava eu
Ao entrar na casa quis fugir daquele quarto pequeno;
sem saber, foi por tua causa que continuei ali.
Esperei por longos minutos que não passavam,
troquei o canto da cama diversas vezes e
nenhum deles era confortável o suficiente.
quis fugir mais uma vez daquele quarto
Falaram comigo quando eu não queria falar,
olharam para mim de um modo que fui obrigada a aceitar.
quis fugir mais uma vez daquele quarto
e mais uma vez, até tu entrar
E quem pensaria que o abrir de uma porta de um quarto pequeno, de uma velha casa de madeira, em uma rua vazia e escura, traria tanta felicidade?
Em uma noite morna a coincidência mais bonita da minha vida adentrou por uma porta
- nessa noite me conheci, reconheci, te conheci.
Ontem me perguntaram como tenho certeza que existo. Disseram-me que posso ser só um pedaço de memória, alguma vivida em outro tempo. Assim feito uma estrela, que ilumina mesmo depois que se apaga. Ontem quando me perguntaram como tenho certeza que existo, pensei em ti.
Em quando vivia sem tu existir - só existe quem percebemos.
Pensei no que tu fazia na noite em eu tremia atrás das cortinas do palco antes do meu primeiro recital ou em que eu pensava enquanto tu escrevia teu primeiro poema. A gente só existe quando conta pra alguém que está ali, quando se deixa perceber. Por isso o mundo tem essa capacidade mágica, pende de um lado para o outro sem que percebamos, obrigando que uma pessoa esbarre na outra. Foi em um desses lados que esbarrei em ti.
Ontem quando me perguntaram como tenho certeza que existo, pensei em ti pois é quando te amo que sinto que existo.
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