Essa sólida ausência, que passa por fraca monotonia.
Essa ilusão da consciência que se transforma em agonia.
Essa vontade agora multiplicada, de ser instrumento e compositor da peça inteira, de não ser apenas uma sombra de si mesmo, que se contenta em vivenciar o que lhe compuseram.
Essa vontade de compor sua própria vida sem prelúdios, sem dissonâncias, sem exigências do princípio ao fim.
Insuficiente II
Alguém que conte a minha história estranha e insuficiente.
Não de amor, nem de lágrimas, insuficiente de final feliz,
insuficiente de tudo que eu pensei ser o suficiente.
Insuficiente por não ter na vida minha, a vida que pensei que seria nossa.
Só espero de quem contá-la, que conte-a bem.
Espero que a conte mais minha do que de qualquer outro, como
recompensa por essa minha história estranha e insuficiente.
Não de amor, nem de lágrimas, insuficiente de final feliz,
insuficiente de tudo que eu pensei ser o suficiente.
Insuficiente por não ter na vida minha, a vida que pensei que seria nossa.
Só espero de quem contá-la, que conte-a bem.
Espero que a conte mais minha do que de qualquer outro, como
recompensa por essa minha história estranha e insuficiente.
O Amor Acontece Assim
O amor acontece, assim. Assim, sem noticiar antes. Numa esquina, por exemplo. Em um sábado chuvoso em que os planos nem incluíam sair de casa; na fila da lanchonete, na escolha aleatória de um café; no meio de uma multidão; depois de um dia triste, no banco de um jardim; de repente no meio da fumaça, tu encontra alguém.
Acontece também por causa de cinco minutos de atraso, que consequentemente te levam a passar na mesma rua de sempre cinco minutos depois ou por uma parada na banca de revistas. Numa insônia estranha que te leva pra fora de casa de roupão e chinelos de pano; entre o creme e a baunilha, na sorveteria da praça; na parada brusca do elevador; na fila da vacina; nas poucas sílabas distantes em uma reunião; num pequeno hotel no sul da Itália ou em alguma rua empoeirada de Dubai. Ali o amor pode ser, acontecer, ter fim e ressurgir.
Simplesmente, em um domingo de sol na beira da piscina; entre o pólen das flores; na compra de um ar-condicionado; no quinto museu do roteiro de viagem; no ônibus; na primeira viagem de trem, na segunda, quem sabe até na terceira; numa sala pintada com tinta esmaltada; num momento desesperador; no meio de um ataque de soluços (que se enquadra perfeitamente em um momento desesperador); na conjugação errada de um verbo; no mar gelado; no florir da primavera; na manhã do dia três de agosto ou no entardecer de trinta e um de janeiro; numa sala de espera; num olhar curto; no momento em que um riso te desarma, não importa.
O amor é sempre tão você-não-tem-o-direito-de-escolher. E não tem mesmo. O amor acontece, assim. Assim, sem noticiar antes.
Acontece também por causa de cinco minutos de atraso, que consequentemente te levam a passar na mesma rua de sempre cinco minutos depois ou por uma parada na banca de revistas. Numa insônia estranha que te leva pra fora de casa de roupão e chinelos de pano; entre o creme e a baunilha, na sorveteria da praça; na parada brusca do elevador; na fila da vacina; nas poucas sílabas distantes em uma reunião; num pequeno hotel no sul da Itália ou em alguma rua empoeirada de Dubai. Ali o amor pode ser, acontecer, ter fim e ressurgir.
Simplesmente, em um domingo de sol na beira da piscina; entre o pólen das flores; na compra de um ar-condicionado; no quinto museu do roteiro de viagem; no ônibus; na primeira viagem de trem, na segunda, quem sabe até na terceira; numa sala pintada com tinta esmaltada; num momento desesperador; no meio de um ataque de soluços (que se enquadra perfeitamente em um momento desesperador); na conjugação errada de um verbo; no mar gelado; no florir da primavera; na manhã do dia três de agosto ou no entardecer de trinta e um de janeiro; numa sala de espera; num olhar curto; no momento em que um riso te desarma, não importa.
O amor é sempre tão você-não-tem-o-direito-de-escolher. E não tem mesmo. O amor acontece, assim. Assim, sem noticiar antes.
Eu gosto de ti e não digo nada.
Mas só porque meus olhos já entregam tudo.
Eu gosto do jeito que a gente anda junto,
eu tropeço e tu segura meus tropeços.
Gosto de escutar teu riso abraçando o meu.
Tu é o único que descontrola meu riso, o meu ser pensante inteiro.
Parece que sabe, que teu riso floresce em mim uma primavera inteira.
Mas tu está tão constante. Constantemente indo embora.
Mas só porque meus olhos já entregam tudo.
Eu gosto do jeito que a gente anda junto,
eu tropeço e tu segura meus tropeços.
Gosto de escutar teu riso abraçando o meu.
Tu é o único que descontrola meu riso, o meu ser pensante inteiro.
Parece que sabe, que teu riso floresce em mim uma primavera inteira.
Mas tu está tão constante. Constantemente indo embora.
"Só eu sei a sensação boa de olhar o teu sorriso e sorrir junto. É estranho, mas adorável. Só eu sei o tamanho da paz e luz que eu vejo nos teus olhos azuis. Pisquei e de repente você tava lá com um espaço enorme dentro do meu coração. Pode parecer clichê e realmente é, mas que você tem um espaço enorme dentro do meu coração, você realmente tem. É maior que admiração. É maior que desejo. É além: é alma."
Poderíamos
Sentirei falta de um sorriso teu, ali.
E de sentir teu cheiro.
Sentirei falta de fazer o café da manhã enquanto te ouço cantarolar.
Sentirei falta de sair pra andar, de mãos dadas, pra um lugar qualquer.
De um jeito que pareça que não há a necessidade de voltarmos, porque nos bastamos para nós mesmos.
Sentirei falta da convivência com teus defeitos.
E de te ouvir reclamar dos meus.
Sentirei falta de você no meu futuro, e pra sempre.
Sentirei falta de todas as belas coisas que poderíamos ter sido.
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