Conta pra ele da batida dissonante que é sentir a falta dele.
Do som que ressoa, ecoa
toda vez em tua mente
e que esse som é o da voz dele
e que a voz dele tem um tom que é o melhor que tu já ouviu.
Conta pra ele que sonhou com ele na noite passada,
mas que foi com os olhos abertos
enquanto atravessava a rua.
Conta pra ele que todo toque dele em ti te arremessa
do Círculo Polar Ártico ao deserto do Atacama.
Que quando ele segura a tua mão tudo em volta destoa
destona, se faz dissonante.
Conta pra ele que quando ele te abraça tu se sente deslocar por dentro
e que teu coração sai do compasso.
Conta pra ele.
Eu queria te entregar um milhão de palavras,
empilhadas, amontoadas, te soterrar delas até perto de cortar tua respiração.
Queria escrever elas em todos os muros no caminho da minha casa até na tua.
Acho que faltaria muro e faltaria palavra; mesmo pra mim que sempre me achei tão cheia delas.
Acabei por perceber que existe gente que é maior que qualquer palavra, gente que por si só é poesia, poema inteiro, daqueles com rima e métrica.
Gente que quando fala é mais bonito de ouvir do que um da Cecília Meireles, que quando encosta o toque, toca mais que um do Fernando Pessoa e que quando sorri estremece tudo por dentro, feito um dos sonetos do Neruda. Não sabia da existência de gente como tu, gente que não tem palavra pra explicar o que é sentir perto. Que faz parecer que de todas as palavras do mundo a mais bonita é substantivo próprio, com letra maiúscula em todas as quatro palavras do teu nome.
Eu não acreditava que tu chegaria.
Afirmei por um bom tempo e com muita convicção, para o vento que quisesse ouvir. Porque não havia o que pudesse tirar de mim o emaranhado todo onde havia me colocado, era raiz demais, de memória demais, era terra demais, água demais, de choro demais e que de tanto demais já não era mais meu, já nem era mais eu.
Eu não acreditava que tu chegaria.
E por não acreditar, acostumei, conformei. Permaneci no emaranhado aqui de dentro.
Fiz dele casa. Morada pra viver de sonho que não acontece. Tranquei por fora e por dentro janelas e portas, pra impedir qualquer sinal de sonho novo.
Eu não acreditava que tu chegaria.
Enquanto eu me encarava no vidro da janela do ônibus, aquele das 17:40 que se atrasa toda vez - que no fundo gosto de pensar ser um atraso proposital, porque o motorista sabe, assim como eu, que se ele não atrasar não consegue pegar os últimos raios de sol, uns que refletem bonito, feito em cena de filme do Spike Jonze- ou enquanto eu escolhia o terceiro banco da fila da direita, porque de lá da pra ver o pôr-do-sol por mais tempo, entre um afastamento de montanha e outro.
Ali também eu não acreditava que tu chegaria. Não acreditei até o momento exato da chegada.
Porque ali não teve espaço pra acomodar dúvida. Porque era. Deu pra sentir por dentro e por fora.
O emaranhado sentiu também, perdeu espaço e saiu pelas portas e janelas que se abriram. E o que era meu voltou a mim. E o que era teu ficou em mim. E preencheu e se alastrou por dentro.
Eu não acreditava que tu chegaria, mas ainda bem que tu chegou.
Afirmei por um bom tempo e com muita convicção, para o vento que quisesse ouvir. Porque não havia o que pudesse tirar de mim o emaranhado todo onde havia me colocado, era raiz demais, de memória demais, era terra demais, água demais, de choro demais e que de tanto demais já não era mais meu, já nem era mais eu.
Eu não acreditava que tu chegaria.
E por não acreditar, acostumei, conformei. Permaneci no emaranhado aqui de dentro.
Fiz dele casa. Morada pra viver de sonho que não acontece. Tranquei por fora e por dentro janelas e portas, pra impedir qualquer sinal de sonho novo.
Eu não acreditava que tu chegaria.
Enquanto eu me encarava no vidro da janela do ônibus, aquele das 17:40 que se atrasa toda vez - que no fundo gosto de pensar ser um atraso proposital, porque o motorista sabe, assim como eu, que se ele não atrasar não consegue pegar os últimos raios de sol, uns que refletem bonito, feito em cena de filme do Spike Jonze- ou enquanto eu escolhia o terceiro banco da fila da direita, porque de lá da pra ver o pôr-do-sol por mais tempo, entre um afastamento de montanha e outro.
Ali também eu não acreditava que tu chegaria. Não acreditei até o momento exato da chegada.
Porque ali não teve espaço pra acomodar dúvida. Porque era. Deu pra sentir por dentro e por fora.
O emaranhado sentiu também, perdeu espaço e saiu pelas portas e janelas que se abriram. E o que era meu voltou a mim. E o que era teu ficou em mim. E preencheu e se alastrou por dentro.
Eu não acreditava que tu chegaria, mas ainda bem que tu chegou.
difícil como tirar uma batedeira da bolsa
eu olho
olho de novo
olho mais uma vez
e incontáveis
as nossas poucas memórias
e não aguento mais olhar pra elas
olhar pensando que não fazes o mesmo
olhar sabendo que as olho sozinha
olhar e ainda que triste, sorrir
porque olhar é lembrar
e lembrar é ter perto
mesmo que longe
e não aguento mais
estar longe
e sentir falta
e achar que não precisar esquecer
vai doer menos
quando eu sei que não vai
e querer esquecer
e num rompante de coragem pedir ajuda
pra deus, pro cara do posto, pra senhora da feirinha
se eles podem me livrar disso
de você
porque não tenho mais forças pra continuar te amando
e mesmo assim te amo
olho de novo
olho mais uma vez
e incontáveis
as nossas poucas memórias
e não aguento mais olhar pra elas
olhar pensando que não fazes o mesmo
olhar sabendo que as olho sozinha
olhar e ainda que triste, sorrir
porque olhar é lembrar
e lembrar é ter perto
mesmo que longe
e não aguento mais
estar longe
e sentir falta
e achar que não precisar esquecer
vai doer menos
quando eu sei que não vai
e querer esquecer
e num rompante de coragem pedir ajuda
pra deus, pro cara do posto, pra senhora da feirinha
se eles podem me livrar disso
de você
porque não tenho mais forças pra continuar te amando
e mesmo assim te amo
O que a vida fez conosco?
não com quem você é
ou quem eu sou,
mas com nós. Comigo e contigo.
Com você andando ao meu lado,
observando o chão como se ali morasse o universo inteiro
e eu andando ao teu lado,
te observando observar o chão com o universo inteiro.
O que ela fez conosco e as músicas que cantamos juntos,
o que ela fez com os sorrisos que apareceram
em momentos que só nos era cabível chorar,
o que a vida fez conosco?
com eu e você
com tu e eu
e com todas as palavras que poderíamos ter dito
um ao outro e não dissemos?
Nos faltou um pouco mais de tempo,
nos faltou menos erros, mais acertos e talvez quem sabe um pouco de sorte.
não com quem você é
ou quem eu sou,
mas com nós. Comigo e contigo.
Com você andando ao meu lado,
observando o chão como se ali morasse o universo inteiro
e eu andando ao teu lado,
te observando observar o chão com o universo inteiro.
O que ela fez conosco e as músicas que cantamos juntos,
o que ela fez com os sorrisos que apareceram
em momentos que só nos era cabível chorar,
o que a vida fez conosco?
com eu e você
com tu e eu
e com todas as palavras que poderíamos ter dito
um ao outro e não dissemos?
Nos faltou um pouco mais de tempo,
nos faltou menos erros, mais acertos e talvez quem sabe um pouco de sorte.
O que a vida fez conosco?
não com quem você é
ou quem eu sou,
mas com nós. Comigo e contigo.
Com você andando ao meu lado,
observando o chão como se ali morasse o universo inteiro
e eu andando ao teu lado,
te observando observar o chão com o universo inteiro.
O que ela fez conosco e as músicas que cantamos juntos,
o que ela fez com os sorrisos que apareceram
em momentos que só nos era cabível chorar,
o que a vida fez conosco?
com eu e você
com tu e eu
e com todas as palavras que poderíamos ter dito
um ao outro e não dissemos?
Nos faltou um pouco mais de tempo,
nos faltou menos erros, mais acertos e talvez quem sabe um pouco de sorte.
não com quem você é
ou quem eu sou,
mas com nós. Comigo e contigo.
Com você andando ao meu lado,
observando o chão como se ali morasse o universo inteiro
e eu andando ao teu lado,
te observando observar o chão com o universo inteiro.
O que ela fez conosco e as músicas que cantamos juntos,
o que ela fez com os sorrisos que apareceram
em momentos que só nos era cabível chorar,
o que a vida fez conosco?
com eu e você
com tu e eu
e com todas as palavras que poderíamos ter dito
um ao outro e não dissemos?
Nos faltou um pouco mais de tempo,
nos faltou menos erros, mais acertos e talvez quem sabe um pouco de sorte.
Assinar:
Postagens (Atom)