Ao ir, me fez pequena, de modo que coube na mão.
Guardei comigo,
as ruas que asfixiamos de palavras,
o eco da tua voz e o teu cheiro em cada estação.
Falo agora, de mim e de ti, como pessoas saídas da ficção.
De modo distante, vazio.
Aprendi aos poucos que o que se deixa, não necessariamente
se perde.
Mesmo sem querermos, algo continua passeando por dentro de nós,
numa esperança desesperada
de que os pedaços perdidos e afastados se juntem.

Afinal, não somos também o que perdemos?

Percebo através de ti
E talvez justamente por isso,
que as coisas acontecem não exatamente do modo que eu gostaria
mas do modo que devem ser.

Incerto

Tento ser, só, tudo que
poderíamos ter sido juntos.
Tento caminhar com meus pés,
os passos que seriam seus.
Sinto, só, tudo que
seríamos, somos e deixamos de ser.
Sinto, sinto muito e sinto, só.

Fragmentos I

Teu sorriso contido,
transforma o amor contigo,
em fraco estalido
desconhecido.



Meus olhos doem
de te ver indo embora,
desde o momento em que chegastes.



E se eu apertar bastante os olhos,
parece que ainda vejo o céu que
coloriam os teus olhos.

Asas de Fuligem

Ao fechar os olhos suavemente,
sinto o desenho que se forma, como em raízes
pelo meu corpo, que rebentam.
Foi me oferecido o não e o mas,
pois nunca preferi silêncio.
Essa vivência no estado do quase,
de algo inascido, mas ainda assim permanente; não foi feito para mim.
Sempre me senti infinita demais pra me acostumar com o nada.