sinto a tua falta
todos os dias vivo
como vivia antes
e a cada dia parece
tornar-se
menos possível
porque quando eu olho pro espaço
eu estou olhando pra você
e posso te ver vivendo seus momentos
quero arrancar-te de dentro para fora
viver sem te ter por dentro
não sei porque ainda me demoro
já é outono lá fora
mas tu ainda faz meu coração sentir
como se fosse verão
lembro como seu cabelo não estava longo quando nos conhecemos
e como ele chegava já mais perto do teu coração quando nos despedimos
lembro das anotações do teu nome na agenda
de enfrentar naufrágos
e de perder a razão, o orgulho, os óculos e a mim mesma.
lembro de voltar pra cama sozinha, e saber que ainda assim estavas lá,
em outro lugar.
quando penso que nenhum livro contará a nossa história
que em nenhum lugar estará registrado
a não ser em nossas memórias já tão cansadas
a não ser em nossas memórias já tão cansadas
me desespero em anotar e não nos fazer esquecer.
espero que daqui algum tempo ao cruzar alguma rua,
lembre de mim,
num dia de céu claro ou de vento fraco
e lembres do primeiro dia de nossas vidas
nascemos juntos naquele refrão
que demorou pra ser
tornamo-nos o outro
na estrofe seguinte
você é a vida da minha vida
Eu sinto sua falta.
Sinto falta das suas pálpebras
De quando corro os dedos por elas.
Das conversas quando o quarto já está escuro.
Sinto falta daquele seu meio sorriso - ele acontece antes mesmo de você abrir os olhos.
Sinto falta de reclamar do calor
e do vento do ventilador.
Sinto falta da segurança das suas mãos,
do encaixe com elas,
e dos seus dedos passeando por mim,
que me encostam, tocam: a carne e alma.
Sinto falta de você nunca estar com sono quando eu pergunto
e sempre perguntar mesmo já sabendo a resposta.
Sinto falta da sua música
do seu cabelo no rosto enquanto toca,
e do seu cheiro no travesseiro.
Sinto falta até das suas partes insuportáveis.
Sinto falta das suas pálpebras
De quando corro os dedos por elas.
Das conversas quando o quarto já está escuro.
Sinto falta daquele seu meio sorriso - ele acontece antes mesmo de você abrir os olhos.
Sinto falta de reclamar do calor
e do vento do ventilador.
Sinto falta da segurança das suas mãos,
do encaixe com elas,
e dos seus dedos passeando por mim,
que me encostam, tocam: a carne e alma.
Sinto falta de você nunca estar com sono quando eu pergunto
e sempre perguntar mesmo já sabendo a resposta.
Sinto falta da sua música
do seu cabelo no rosto enquanto toca,
e do seu cheiro no travesseiro.
Sinto falta até das suas partes insuportáveis.
Havia o medo da partida desde o primeiro encontro.
Sempre pairou desconfiança - porque era perfeição demais.
Combinavam em tudo.
Tinham as mesmas feridas
- que conseguiram cauterizar ao mesmo tempo
ao primeiro olhar.
Compartilhavam emoção, brisa, vento, vendaval.
O cenário todo simples.
Nem mais nada era necessário.
Sequer plateia.
Estavam sós e nem precisavam dizer isso aos outros
- o que por si só é prova de maturidade.
E apesar de tudo tinham medo.
Medo da falta de obstáculos.
Medo de não sofrer, ou de temer que o sofrimento viesse.
A cada dia passeavam por uma linda alameda
que conduzia a outra, ainda mais bela.
E, a cada dia, a insistência da paisagem provava que estavam
errados.
Se a atração dos opostos é regra, eles eram a definitiva exceção.
E mesmo assim, cada um a seu modo,
auguravam algum antigo ensinamento
de que tempestades são sempre visitantes sem-cerimônia.
Prosseguiam, sem incomodar o sonho alheio,
mas de certo modo sem conciliar o próprio sono.
O tempo, ainda bem, mostrou que de fato estavam errados.
Sempre pairou desconfiança - porque era perfeição demais.
Combinavam em tudo.
Tinham as mesmas feridas
- que conseguiram cauterizar ao mesmo tempo
ao primeiro olhar.
Compartilhavam emoção, brisa, vento, vendaval.
O cenário todo simples.
Nem mais nada era necessário.
Sequer plateia.
Estavam sós e nem precisavam dizer isso aos outros
- o que por si só é prova de maturidade.
E apesar de tudo tinham medo.
Medo da falta de obstáculos.
Medo de não sofrer, ou de temer que o sofrimento viesse.
A cada dia passeavam por uma linda alameda
que conduzia a outra, ainda mais bela.
E, a cada dia, a insistência da paisagem provava que estavam
errados.
Se a atração dos opostos é regra, eles eram a definitiva exceção.
E mesmo assim, cada um a seu modo,
auguravam algum antigo ensinamento
de que tempestades são sempre visitantes sem-cerimônia.
Prosseguiam, sem incomodar o sonho alheio,
mas de certo modo sem conciliar o próprio sono.
O tempo, ainda bem, mostrou que de fato estavam errados.
Das perdas
A angústia de pensar que eras parte de mim e partirias.
Dentre as partes eras daquelas gigantes, ocupava um lado inteiro daqui de dentro.
Aos poucos a angústia de perder-te perdeu forças para a ansiedade, a ansiedade de ter-me de volta.
Ganhar de volta o espaço que tu ocupava e poder preenchê-lo com a felicidade que mais me enternecesse, seja ela qual fosse.
Dentre as partes eras daquelas gigantes, ocupava um lado inteiro daqui de dentro.
Aos poucos a angústia de perder-te perdeu forças para a ansiedade, a ansiedade de ter-me de volta.
Ganhar de volta o espaço que tu ocupava e poder preenchê-lo com a felicidade que mais me enternecesse, seja ela qual fosse.
TENHO MEDO DESSE NOSSO DESESPERO,
DO ANSEIO DESMEDIDO
QUE NOS QUEBRA DE DENTRO PARA FORA, DE FORA PARA DENTRO
TENHO MEDO QUE NOSSAS ALMAS SE CHOQUEM
E ESTOUREM EM FOGOS DE ARTIFíCIO PÚRPURA
TENHO MEDO QUE DEPOIS NÃO TENHAMOS MAIS CONSERTO
QUE NADA TEREMOS POR FAZER
E SÓ NOS RESTARÁ O REFAZER, QUE SE FAZ, MAS FAZ-SE LONGE
TENHO MEDO QUE AS QUEBRAS
DE DENTRO PARA FORA
E AS DE FORA PARA DENTRO
QUE SÃO FEITO ONDA EM PEDRA,
REBENTEM EM MARÉ OPOSTA
DE DENTRO PARA FORA DE MIM
DE DENTRO PARA LONGE DE TI
ESSE NOSSO DESESPERO PODE NOS LEVAR BEM LONGE,
OU PARA BEM LONGE UM DO OUTRO.
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