Meus olhos pequenos não traduzem o que quero te dizer
Talvez os fá-lo-ei crescer.
Só pra não ter que te dizer
e me por em risco de sofrer.


Mais.
Cada vez que encontro algo mais para em ti amar
uma flecha me atinge o coração.
Imagine como está ele então.

Levando-me devagar para longe
Longe tanto, quanto sempre estive
Tentando chegar lá
Onde claro ele está

Correndo como corre o tempo
Evitando qualquer contratempo
Que te afaste do vasto amor
Te arranque como flor

E como quem conta continuamente a sua escória
Coração com direito a palmatória
Ela só busca o final feliz
da sua própria história.
Tentando tomar decisões importantes enquanto o vento sopra no ouvindo dizendo que o tempo mandou avisar que não vai dar tempo.

Tentando decidir se vale arriscar perder parte do coração enquanto o vento sopra no ouvido avisando que o tempo mandou avisar que sempre é tempo.

Tentando absorver coragem de tudo que é vivo e móvel enquanto o vento sopra no ouvido avisando que o tempo mandou avisar que ainda há tempo.

Tentando chegar a tempo enquanto o vento sopra no ouvido dizendo que o tempo mandou avisar que não há mais tempo.

O tempo mandou avisar que você perdeu tempo.
Leitor da carta que conta e chora.
Alvor da peça que se apresenta.
Espero te ver lá fora.
Mesmo que em manhã cinzenta.

Trago-te a ti o que tudo é meu
Vejo em ti tudo que em mim vive.
Você diz, sou seu.
Eu digo assim sempre te tive.







Fingindo que não se importa.
Fingindo que finge ser.
Tentando sair à porta.
Fazendo como quem faz esquecer.

Correndo pelo campo
Fugindo da saudade
Tentando chegar a tempo
Não chegou, já muito tarde.

Vira a volta, sai correndo.
Gira a corda no jardim.
Que fazer com o amor
Que sobrou dentro de mim.


Olha o dente-de-leão.
Voa voa com o vento.
Vai levando a solidão.
Me deixando com o tormento.

Venta o vento nos cabelos.
Gira a roda no jardim
la la la laia
Eu sem roda rodo assim.


Voando com o vento que venta.
Esquecendo quem se esquece de mim.